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Poodle Toy

CUIDADO COM O FALSO POODLE

"Exemplares atípicos ameaçam o mais popular cão de companhia."

Canil Christal Kramer - Cachorrinhos Poodle Toy com pedigree

Que o Poodle é considerado uma das raças mais versáteis, inteligentes, obedientes e dóceis do planeta, todo mundo sabe. Que tais características unidas ao tipo físico encantador fizeram dele um dos cães mais populares pelos quatro cantos do globo, também não é motivo de surpresa para ninguém. E que as raças preferidas pelo público estão mais sujeitas a criadores que só querem vender e não se preocupam em obter filhotes de físico e temperamento ideais, soa como um repeteco para quem acompanha o mundo canino. O fato é que o Poodle, campeão absoluto em número de nascimentos no Brasil, de 1987 a 1994, e segundo colocado de lá para cá, representa 17% da população canina entre as mais de 80 raças registradas no país e permanece como o mais popular cão de companhia. Se tanta popularidade enche de orgulho os criadores que trabalham pela melhoria da raça, é também um motivo de extrema preocupação. "Estão acabando com o Poodle brasileiro", analisa a cinóloga mais renomada do país, Hilda Drumond. "Começa a ocorrer com ele o mesmo que aconteceu com o Pequinês na década de 60 e 70", compara ela, referindo-se à onda de acasalamentos incorretos e mestiçagens que atingiu aquela raça e descaracterizou o tipo físico e comportamental a tal ponto que a criação praticamente desapareceu. A preocupação de Hilda não é isolada. "Há uma série de aberrações cada vez mais freqüentes nos Poodles das variedades menores, conseqüentes do comércio em torno da raça", diz a juíza pela CBKC.

Variação de Comportamento do Poodle

Quatro pontos devem ser considerados. O primeiro é que mesmo os exemplares de bons canis e fruto de cuidadosos acasalamentos podem ter desvios comportamentais por origem genética, mas são bem mais raros e não tão variados e acentuados como os ocorridos em cães nascidos de acasalamentos que não se preocupam com a qualidade. O segundo é que um ambiente propício e uma educação errada podem desencadear desvios até em exemplares sem predisposição genética. O terceiro é que os cães predispostos geneticamente podem manifestar os desvios gratuitamente e acentuá-los ainda mais, caso o ambiente e a educação facilitem isso. O quarto - para a alegria geral dos proprietários - é que grande parte dos desvios, mesmo os de origem genética, pode ser solucionada com o tratamento adequado.

VISUAL EM RISCO

As mestiçagens também são uma infeliz realidade da raça. A vice-presidente do Poodle Club of America, responsável pelo departamento de saúde da raça e criadora há 22 anos, Hellen Sokopp, lembra que na época de maior popularidade da raça nos EUA, houve muitos acasalamentos entre Poodles e Cockers ou Malteses. Segundo ela, ainda que as pessoas que usassem tal "procedimento" defendessem a idéia de que misturando as duas raças uniam as boas características de ambas, a prática demonstrava o contrário. "O que ocorria eram cães agressivos", constata Hellen.

Mesmo em exemplares que não são mestiços, têm aparecido muitas características físicas atípicas à raça. Mais uma vez, provenientes dos acasalamentos sem critério. Poodles com pernas curtas, como se fossem Bassets, são cada vez mais comuns. A miniaturização excessiva em parte dos exemplares é uma das causas das pernas curtas, assim como dos olhos saltados e redondos, todas características de nanismo. A responsável pelo Genetic Anomally Comittee of Poodle Club of America, Diane Ellis, acrescenta: "Cães com menos de 22,8cm raramente mantêm as proporções pedidas pelo padrão e têm achatamento das pernas e olhos saltados e arredondados".

SAÚDE

Canil Christal Kramer - Cachorrinhos Poodle Toy com pedigree

O problema de saúde mais freqüente nos Poodles é a Otite (inflamação do ouvido). Em função das orelhas caídas e dos tufos de pêlos dentro delas, a umidade fica retida, gerando a inflamação. Para prevenir, basta evitar que entre água durante o banho, e fazer higiene periódica. Mas atenção: limpeza em demasia, feita mais de uma vez por semana, pode ter o efeito oposto e causar a otite, já que a cera é uma proteção dos ouvidos. Dermatites também ocorrem, pois a pelagem retém a umidade. Daí a necessidade de mantê-la seca.

Quanto às doenças de origem hereditária, no Brasil, segundo Cynthia Peixoto, veterinária consultora de Cães & Cia, com quase 50% de sua clientela formada por Poodles, a Luxação da Patela é a mais comum. Trata-se de um deslocamento do osso do joelho, comum em raças pequenas, que causa dor e dificuldade para andar. O osso costuma voltar espontaneamente para o lugar, sem maiores conseqüências. Em casos graves, recorre-se à cirurgia.

Nos EUA, segundo a responsável pelo departamento de saúde do Poodle Club of America, Hellen Sokopp, há três problemas que preocupam a criação, mas nenhum deles foi observado no Brasil, pelos entrevistados. O primeiro é a Displasia (má formação no encaixe da cabeça do fêmur com a bacia), que causa dor, dificuldade de locomoção e às vezes deixa o cão aleijado. Há tratamento cirúrgico. Ocorre apenas nos Poodles das variedades maiores, atingindo de 15 a 20%, segundo estimativas do clube. O segundo problema que alerta os criadores e atinge o Toy e o Anão é a Atrofia Progressiva da Retina. Consiste numa perda gradual da visão até a cegueira total, que ocorre geralmente a partir dos 6 meses, mas pode se manifestar após os três anos. Segundo estimativas do clube, 25% dos Poodles desenvolvem a doença. Não há tratamento. O terceiro problema hereditário destacado pelo clube, e que segundo Hellen foi descoberto há apenas dez anos, é a Adenite Sebácea (SA), que ataca só os Poodles maiores. "As glândulas sebáceas do corpo param de funcionar e o cão perde todo o pêlo", esclarece. "Recomenda-se um exame anual de biópsia da pele a partir de um ano e meio de idade até os cinco anos, pois o mal pode se desenvolver tardiamente." Se o mal for detectado, o cão não deve se reproduzir pois o transmitirá. O tratamento só é necessário quando a doença se manifesta e consiste em aplicar óleo infantil na área afetada, mas a pelagem nunca renasce com a mesma beleza. O clube americano estima que 10 a 12% dos exemplares desenvolvam a doença.

A veterinária e juíza Rocio Nadal, que já tratou de centenas de exemplares cita a dentição dupla como um problema comum em Poodles e demais raças pequenas e nesse caso aconselha a extração dos dentes de leite, por favorecerem o desenvolvimento do tártaro. "Manchas na pelagem sob os olhos, causadas por lágrimas, só são visíveis nos Poodles brancos e ocorrem com maior freqüência no Toy que, por ser menor, tem os dutos naso-lacrimais mais estreitos e sujeitos a obstrução", comenta.

HISTÓRICO

O Poodle tem a sua origem muito discutida, entretanto a França toma para si este privilégio. Na Holanda existem Poodles bem pequenos, ao contrário da Rússia, onde os cães são de porte grande. Seja qual for a sua procedência, sabe-se e é certo que o Poodle é um cão cosmopolita, e o mais inteligente deles.

Bibliografia - Revista Cães & Cia.

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